quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O diferente visto como louco



     Algumas pessoas consideram outras loucas porque simplesmente não as entendem. O que é desconhecido assusta, e como defesa desse estranhamento e/ou medo é mais fácil julgar como loucura. Só porque é esquisito/diferente não quer dizer que é "loucura". É sempre mais fácil falar do outro, do que olhar a própria dificuldade, nesse caso, de lidar com a incompreensão, de algo sair fora daquilo que estamos acostumados.
   Quando o que se repete muito, quando as pessoas "viram estatísticas", o padrão é onde está a maioria, por meios de comparação então os normais são consideradas as que estão dentro do padrão de "NORMAlidade". Já os que tão fora dessa norma, sendo a minoria, apresentando determinadas características ou comportamentos mais incomuns, por consequência são os dito "anormais” já que não "encaixam" com a maior parte da sociedade.
      Muitos perdem a naturalidade para ficar dentro dessa “norma”, como se quanto mais diferenças da maioria, mais estranho/doido fosse. Por isso que dizem que "de perto ninguém é normal", se consideramos que quase ninguém é realmente espontâneo e verdadeiro na maior parte das vezes/com a maior parte das pessoas, por receio de ser julgado, excluído, torna-se então o mais parecido possível para ser aceito.
     Para alguns, tendo uma visão diferente disso tudo, ser chamado de louco (diferente da maioria) é um elogio! No fim, com tanta superficialidade, generalização, máscaras, (pré)conceitos e paradigmas é difícil tomar algo como "verdade", torna-se mais complicado ainda conhecer verdadeiramente os outros e a si mesmo.
    Se formos nos preocupar com o que pensam sobre nós, podemos deixar de fazer o que gostamos, de sermos simplesmente nós mesmos. Alguns vão gostar do nosso jeito, outros não. Inevitavelmente escapamos de rótulos e julgamentos.  E é  assim, correndo o risco de desagradar alguns que se torna possível mostrar qualidades (antes ocultas) para o ponto de vista de outros, inclusive para si. Só se expressando verdadeiramente que é possível se conhecer melhor e desenvolver os potenciais.  
     Se for pra ser julgado que seja pelo jeito autêntico que somos/agimos, não por nossas máscaras. Quando acontecer de sermos interpretados erroneamente aí também o problema está nos "nos olhos de quem vê", uma imagem falsa que o outro enxergou, talvez por não enxergar em si mesmo. E vamos ficar mais atentos com nossos próprios julgamentos, olhar mais para o nosso próprio "olhar" do que para o outro!

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Eu era feliz e (não) sabia

 "Eu era feliz e não sabia".
Você já pensou, falou ou ouviu isso?
Como ''prevenir''  pra não usar essa frase no ''futuro''?





     Às vezes olhamos para o passado e sentimos que "éramos felizes, mas não sabíamos". Alguns repetem muito esse padrão, de olhar para trás e achar que era melhor que agora. Mas naquele tempo do passado podíamos estar também olhando para trás, e se dizendo a mesma coisa. Ou nesse passado que trás nostalgia, quando vivíamos não estávamos tão bem quanto parece agora, por isso a frase "era tão feliz, MAS não sabia".
    Através do olhar atual, vemos as situações boas, mas enquanto vivíamos estávamos com outras preocupações, por isso não desfrutamos tanto, como achamos que desfrutaríamos com a consciência de hoje.  Então, o que podemos aprender com isso?     
 O que impede de nos sentirmos mais felizes, aproveitando a vida, é viver o mais plenamente possível o presente.   Comparamos o passado como algo melhor, pois recordamos dos acontecimentos em si, dos momentos vividos
   Mas sabe o que acontecia enquanto simplesmente vivíamos aquilo que agora é lembrado com saudades? Pensamentos limitadores. Pensamentos como: "não deveria ser assim, eu queria que fosse assado, não sou bom/boa o bastante, antigamente era mais fácil", etc. As autocríticas e reclamações. As comparações com o passado e as preocupações com o futuro. Por isso muitos não sabiam que eram felizes. Pois estavam focando no negativo, no que faltava, e sempre parece faltar algo. Na psicoterapia esse aspecto de auto-observação e autoconhecimento é muito importante, para reconhecer e mudar os padrões de pensamentos negativos e crenças limitantes, que geram tanto sofrimento.
   Será que daqui dez anos, você não vai olhar para esse seu período de vida da mesma forma que olha agora para dez ou vinte anos atrás? Achando que era tão mais maravilhoso? A questão é: Você não está no passado, não está no futuro. Como valorizar e aproveitar melhor o presente, para depois não se arrepender? 
   Se sua mente está voltada para o passado ou futuro, onde está você agora? Por isso muitas vezes "somos felizes e não sabemos", pois não estamos aqui e agora para sentir essa felicidade, para presenciar o momento único.   Lembrei de uma música que tocava em um vídeo que adorava quando criança, e tinha essa frase tão simples e sábia: “A hora para ser feliz é agora. O lugar pra ser feliz é aqui”.  Para quem quer aprofundar nesse tema, recomendo o livro: “O Poder do Agora” de Eckhart Tolle e para se inspirar um ótimo filme “Poder além da Vida”.
 


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Medo de amar e ser amado.

É como se existissem brumas no encontro de algumas pessoas.
Se não existissem estariam se enxergando inteiramente.
Há algo que impede de ver e sentir totalmente.
Somos nós, seres com tantas falhas e tanto potencial
que deixamos nublado.
A luz pode ofuscar, se clarear podemos nos assustar.
Mais fácil então viver com as barreiras, nos acomodarmos em nossos bloqueios.
Nosso espelho interior está embaçado, parece perigoso refletir.
A transparência nos assombra.
O que nos encanta também nos espanta
Aproximamos de leve por um momento breve sem deixar que o coração nos leve.
É a presença do medo, ausência do amor.
O amor que se oculta na penumbra, pois o medo o esconde.
Não é bom, porém é até mais tranquilo lidar com o medo do que lidar com sentimentos "iluminados"
que achamos que podem nos cegar,
e na realidade, é justamente ao contrário,
é o que faria a gente com um "terceiro olho" enxergar.

Busca e encontro de relacionamento amoroso.

Se você colocar na cabeça que quer namorar alguém "exatamente assim" (dos "sonhos") pode acontecer de desperdiçar grandes oportunidades, não enxergar alguém com potencial para ser um ótimo companheiro (a), que pode estar tão próximo, mas não preenche todos "requisitos", então é ignorado.

Se queremos conviver com alguém parecido conosco, quanto mais temos autoconhecimento, mais consciência temos do nosso valor, do que nos faz verdadeiramente bem, do que realmente gostamos (sem tantas influências, que é comum nem se dar conta), então assim será maior a possibilidade de não se enganar na escolha, de não se apaixonar somente por projeções...

Com o passar do tempo no relacionamento, ao conhecer melhor começamos enxergar no outro os aspectos negativos, porém atraímos essa pessoa talvez porque justamente essas características estão em nós mesmos, provavelmente inconscientemente ou por assuntos do passado mal resolvido.

Se vivermos a maior parte do tempo sem autenticidade, usando máscaras, se falta autopercepção e deixamos de reconhecer e lidar com aquela "parte" de nós que não queríamos ter, que negamos, então maior o risco de ter um relacionamento que com o tempo nos decepcionamos, sendo que quanto maior a expectativa e idealização, maior a frustração e desilusão.

Por isso, reforçando, quanto mais nos conhecemos, tanto a "luz" quanto o nossa "sombra" mais chances de fazer uma escolha melhor -mais consciente-, se relacionando com uma pessoa que realmente temos afinidades e as diferenças complementam, podendo aprender e termos motivação pra melhorar.


 

domingo, 7 de junho de 2015

Autossabotagem X Autoconfiança










Um dos maiores fatores que levam a nos sentirmos tristes ou simplesmente insatisfeitos, é sermos incoerentes conosco mesmo. Enquanto não agirmos de acordo com o que acreditamos, algo nos parece errado, mesmo sem estarmos conscientes disso, pois muitas vezes nem percebemos que alguns de nossos comportamentos vão contra ao que sabemos que não é bom pra gente, que vão contra nossos valores e princípios.
              Às vezes, sobre uma mesma coisa: pensamos de um jeito, falamos de outro, e agimos ainda de outro jeito. Acabamos então mentindo pra nós mesmos, sendo incongruentes. Isso está muito relacionado à autossabotagem, quando “sem querer (consciente) querendo (inconsciente)” puxamos nosso próprio tapete. Por exemplo, quando postergamos aquilo que precisamos fazer logo; Quando perdemos ou atrasamos em um compromisso, por nos enrolarmos sem necessidade; Quando comemos em excesso comidas que sabemos que são nada saudáveis; Quando deixamos de fazer algo, como exercício físico ou arrumar a casa/o quarto por preguiça, e vamos protelando, etc..  E damos várias desculpas, porém, uma parte muito inteligente de nós obviamente não acredita nessas desculpas, e isso vai nos enfraquecendo, por não darmos ouvidos a essa  sabedoria interior. Enquanto estamos muitas vezes distraídos-para não nos lembrarmos do que é importante-, no fundo, aquela culpa e autocobrança estão de alguma maneira nos afetando.
Como confiar em alguém que não cumpre o que promete? Que quando combina algo não se compromete, ou está sempre atrasado? Você confia em alguém que fala mal de você? Que conta mentiras? Que diz uma coisa e faz outra?  E se esse alguém é você? Você com você mesmo! Cada vez que não cumprimos com aquilo que combinamos com outra pessoa, mais ela vai duvidar da gente, certo? Muitas vezes se sente traída. É a mesma coisa quando você diz a si mesmo que "dessa vez" vai cumprir tal objetivo, e não faz. Você está traindo a sua confiança! Você pratica o que fala? Você se compromete consigo? Dá atenção e acolhe a si?  Você conta com seu próprio apoio?  Você está sendo coerente com o que acredita e como age? Se não... Como você vai confiar em si? Cada vez que você conta uma mentira (mesmo que mínima), que você adia algo que sabe que precisa fazer que diz que vai fazer alguma coisa e não faz, que diz sim para o outro contra a sua vontade (dizendo não para si), que acredita nos pensamentos críticos e sabotadores que dizem que você não é capaz, etc..: você está dando mais motivos para não acreditar mais no que você diz e está minando sua autoconfiança.
Não trate o “sabotador interno” como inimigo, porque é uma parte sua ainda com medo, querendo te ‘proteger’, mas na verdade, está te atrapalhando. Em nossa mente há várias “vozes”, é a conversa que temos em silêncio conosco mesmo. Ao invés de dar tanta corda para aquela voz sabotadora (apenas agradecer a informação, mas não segui-la), o que você acha de prestar mais atenção no que aquela voz mais sábia tem a dizer? Então você pode decidir com mais clareza e consciência qual “obedecer”.
Como seria se você lidasse contigo mesmo como se fosse seu melhor amigo, se tratando como gostaria de ser tratado, se tratando como você trata àqueles que você ama? E se você agisse como alguém que você gostaria de ter como companhia? Um amigo que respeita seus limites, tem paciência com seu processo que precisa passar para aprender, que te lembre que você ficar reclamando é só se colocar como vítima, mas sem ficar te recriminando, que aceita suas dificuldades, que perdoa, que entende e acolhe suas vulnerabilidades, e também reconhece e valoriza suas qualidades. Ninguém mais importante para te tratar assim como você mesmo.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Citações de psicoterapeutas


  1. ''Seres humanos não podem ser reduzidos a componentes;
  2. Seres humanos têm em si um contexto humano singular;
  3. A consciência humana inclui uma percepção de si mesma no contexto de outras pessoas;
  4. Seres humanos têm escolhas;
  5. Seres humanos são intencionais, eles buscam significado, valor e criatividade.” 
  6. James Bugental



quarta-feira, 11 de março de 2015

O que é preciso para ser um “bom terapeuta?”

Faço as minhas palavras as palavras lindas e sensíveis da psicoterapeuta e escritora Patricia Gebrim:

"Para ser um 'bom terapeuta' é preciso conhecer as próprias feridas, pois elas fazem parte da verdade mais profunda que nos ensina que é através da nossa própria dor que podemos sentir a dor do mundo e nos sentir parte dele também.
É preciso ser capaz de acolher as próprias lágrimas, embalar os próprios medos, aceitar os momentos de raiva e hesitação. É preciso conhecer as paredes da própria prisão, sem deixar de pressentir a luz que chega através das grades. 
É preciso reconhecer-se também nessa luz, e nas estrelas, e nos rios, e nas montanhas, e no canto dos pássaros, e no sorriso de uma criança. 
É preciso sentir-se parte da natureza e não conseguir deixar de suspirar ao assistir à beleza de um silencioso pôr do Sol.

É preciso ter senso de humor, saber criar alegria e leveza sem precisar negar a dor e a tristeza. Um “bom terapeuta” é um equilibrista e sempre tem um pouco da alma do artista. É preciso ter amado profundamente outro ser humano, e ter sido capaz de entregar-se totalmente a esse amor.
Tudo isso é preciso para ser um “bom terapeuta”, e muito mais...

Um “bom terapeuta...” cuida para que sua vida contenha momentos de silêncio, paz e contemplação.   Olha através dos olhos e reflete de volta a luz que encontra dentro de cada ser humano.


Não cai nas armadilhas do tempo e sabe que qualquer pessoa é sempre uma pessoa a ser conhecida, mesmo que já se tenham encontrado muitas vezes. Nunca se cansa de descobrir o outro, não se guia pelo passado, não cristaliza histórias. Ajuda a criar movimento e libertação.
É capaz de dar asas à imaginação e compartilha a memória de que todos somos seres maravilhosos. Assim, ajuda as pessoas a descobrirem o dom de reinventarem a si próprias a cada momento.
Gosta de viajar por terrenos desconhecidos. Oferece sua companhia para desvendar cavernas sombrias, mergulhar em regiões profundas ou nas matas mais densas. Em troca, procura companhia para voar entre os brilhantes astros do Universo, cavalgar em caudas de cometas e depois voltar à Terra escorregando por entre as cores do arco-íris.


Confia no ritmo da natureza e oferece seu espaço de trabalho como um útero sagrado onde o milagre da vida possa acontecer.
Confia na sabedoria intuitiva presente dentro de cada pessoa, e nunca contraria essa sabedoria. Sabe respeitar o NÃO do outro. Sabe respeitar o SIM. Sabe respeitar os momentos de dor e silêncio. Sabe respeitar a raiva ou qualquer sentimento que se faça presente. Não tenta suprimir, desviar ou controlar o que não compreende. É capaz de suportar sua incapacidade de compreender todas as coisas, pois muitas vezes é isso o que acontece. 

 Acredita na simplicidade de ser apenas quem é, e faz disso sua oferenda. Seus maiores recursos são a sensibilidade e a reverência que sente ao se encontrar frente a outro ser humano, a profunda compaixão que sente por sua dor e o vislumbre do potencial.

 Quando olha para outro ser humano, um “bom terapeuta” não vê apenas o que existe, mas também as maravilhosas possibilidades de vir a ser. Vê na semente adormecida toda a beleza da flor já aberta para o mundo. O maior dom do “bom terapeuta” é ser capaz de compartilha essa
visão.

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É capaz de ouvir as pessoas com seu coração, vale sagrado que existe além do certo e do errado, encontrando a presença do divino em qualquer manifestação.
É capaz de permanecer incondicionalmente ao lado do outro para ajudá-lo a aceitar e compreender que sua vida é o fruto doce ou amargo de suas próprias escolhas.
É capaz de ajudar o outro a reencontrar sua capacidade de sonhar, para que dessa forma ele possa fazer escolhas diferentes, que tornem mais doces os momentos de sua vida


Um “bom terapeuta” nunca desiste. Nunca desiste de seu caminho, da possibilidade de um mundo melhor com mais harmonia, mais vida e mais alegria.  É persistente, paciente, existente; embora nunca esqueça de que cada pessoa tem o livre arbítrio para decidir seu próprio rumo. Sabe que não é responsável pelo outro, por seus sucessos ou por suas dificuldades, embora participe intensamente de cada passo dado no caminho da vida.

 
Um “bom terapeuta” às vezes se sente frágil e cansado e nesses momentos sabe procurar ajuda. Sabe que muitas vezes ainda se sentirá impotente e fracassado e que não será capaz de fazer muita das coisas que são esperadas de um “bom terapeuta”.

Reli tudo o que tinha escrito. Senti-me pequena, incapaz de tarefa tão grande.
Foi então que encontrei a luz.
Para ser um Terapeuta é preciso, antes de qualquer coisa, Ser.
Não um “bom terapeuta”. Ser “quem você É”. Provavelmente não tão perfeito ou equilibrado quanto gostaria talvez muitas vezes inseguro, confuso ou assustado, muitas vezes triste, com raiva E ainda assim “você”.

Ser Terapeuta é um ato de amor. E como qualquer ato de amor deve começar por aceitarmos e amarmos a nós mesmos."









quinta-feira, 5 de março de 2015

A verdadeira autoestima! (Artigo no jornal)





 A verdadeira autoestima.   

        A autoestima pode ser definida como a opinião, o sentimento e a visão que uma pessoa tem de si mesma. Então, a autoestima é muito subjetiva, ou seja, é do intimo da pessoa em relação a si. Dependendo de como está sua autoestima, a pessoa pode se valorizar, ter mais autoconfiança e autorespeito ou ao contrário. 
      Muitos confundem narcisismo com autoestima. As características do narcisismo é o egocentrismo, arrogância, dificuldade de se colocar no lugar do outro (falta de empatia), obsessão por fantasias de poder, genialidade, beleza, riqueza e sentimentos de grandiosidade/superioridade. Na verdade, aquela pessoa que na linguagem popular dizemos que “se acha”, está querendo compensar sua sensação de insegurança, no fundo ela se sente inferior, podendo esconder isso dela mesma para não sofrer com a frustração. Aí muitos falam a respeito dessas pessoas que “elas tem excesso de autoestima.” Seria como dizer, por exemplo que “elas têm excesso de saúde/ de felicidade”. Não faz sentido, não é? Mas essas pessoas a quem estamos nos referindo não têm autoestima boa/saudável. O que elas têm é uma falsa autoestima, na verdade, é autoengano!
      Essa necessidade de querer ser visto, admirado, invejado, é justamente pela falta do amor próprio, então o indivíduo que parece estar tão seguro por gostar de aparecer, esconde uma fragilidade, vestindo uma máscara de forte e bem resolvido. Portanto, é preciso entender que quando falamos de uma pessoa com boa autoestima ou autoestima alta, ela não se sente melhor que ninguém e reconhece suas limitações, suas fragilidades, sabendo que não é perfeita. Quem tem autoestima saudável consegue sentir compaixão pelo outro sem se achar superior, pois ela consegue perceber o sofrimento e também as qualidades das outras pessoas. 
      A autoestima não depende de condições externas, é o amor incondicional por si, independente do que você faz e o que você tem. Então, não adianta buscar autoestima fora de si, é ilusório. Estudar para ter um cargo importante, fazer cirurgia plástica, casar, tudo isso se você não fizer por você, se não tiver uma valorização sua, vai te alegrar apenas por um tempo. Sabemos que é tudo muito impermanente, transitório, e depois de conseguir alcançar o objeto de desejo e passar aquela satisfação, já vai vir aquela sensação de falta novamente, por causa do vazio interior (que é falta de se preencher como o próprio amor), então vem a falsa necessidade de partir sempre em busca de mais alguma coisa: é insaciável! Nada errado em desejar e buscar o que se quer desde que seja conscientemente, sem depender disso para ser feliz, é muito prazeroso. O problema é depositar a felicidade (que é diferente de alegria e prazer) e achar que vai ser mais valorizado por bens materiais, por títulos e pela beleza física.
    Quem somos, como nos tratamos e como respondemos ás situações é que mais importa. Não quer dizer que a autoestima precisa ser inabalável, pois não é uma coisa fixa, rígida, é normal oscilar, mas que possamos nos conhecer cada vez mais, nos trabalhando para oscilar cada vez menos. O que você está buscando fora, a aprovação alheia, é o que você não está se dando. Então, tendo consciência disso, perceba se você está sendo amoroso consigo ou muito crítico. Você pode saber melhor se está sendo seu melhor amigo observando aquela “voz” na sua mente: Tem sido uma voz julgadora, que fica te recriminando? Se xingando? O que dizem seus pensamentos? Você convive o dia inteiro, a vida toda, com você mesmo, então, você é a pessoa mais importante de sua vida, que mais precisa de estima, da sua própria estima!  
     A autoestima influencia em todas as áreas na nossa vida, muito mais que imaginamos. Esse assunto é muito vasto, e infelizmente não dá para escrever tudo que gostaria: como ela realmente interfere no nosso dia a dia e em todos os setores, quais características da baixa autoestima e o porquê, sobre a construção da autoestima na infância, como os pais e professores podem afetar positiva ou negativamente, a possibilidade de reinterpretar, recuperar, como ajudamos desenvolver a boa autoestima, etc. Por isso dou palestra de até 1 hora ou mais a respeito, com exercícios, pois considero muito importante, além do trabalho em psicoterapia que com certeza ajuda muito. Se você quiser saber algo mais, tiver alguma dúvida, mande um e-mail para belisaraujo1@gmail.com, ficarei feliz em responder!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A coragem de ser "você mesmo" (Artigo jornal)

Novo artigo no Jornal FolhaSc!


Conhecer a si mesmo para tornar-se o que é - e ter coragem pra ser-.

Tem uma frase do falecido poeta curitibano Paulo Leminski que diz: “Isso de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além.” Ah, e como é bom simplesmente permitir ser quem se é, diria também, quem se ESTÁ, já que mudamos muito. É uma sensação de leveza e liberdade. Parece muito redundante esse negócio da gente dizer "seja você mesmo". Ué, quem vai ser você, além de você, e quem você pode ser se não você?! Ninguém melhor para ser você mesmo do que você (não é ótimo?), por isso é importante expressar nossa singularidade. O problema é que na tentativa de agradar o outro, do medo do que vão falar, ou seja, de enganar o outro e a si mesmo usamos máscaras, além das armaduras, para defender da nossa vulnerabilidade, sendo que esta pode ser tão enriquecedora se a usarmos com nossa sensibilidade. Na verdade, acho que nossa maior fraqueza é quando queremos parecer fortes. Forte para os outros, forte pra si mesmo, enganando os outros, se enganando, deixando de vivenciar toda beleza humana em nós. Somos covardes por termos orgulho e não mostrar nossa sensibilidade, fingir que está tudo bem ou nos mostrarmos frios e controlados.  Sentir e assumir nossa vulnerabilidade, ao contrário, nos fortalece - sem tirar nossa sensibilidade-, podemos sentir mais compaixão e nos torna mais leve.  O fato é que precisa ter coragem de se deixar ser tudo que é, de não deixar de mostrar o que sente.
            Quando temos vergonha de sermos quem somos, acabamos não sendo por completo, ficamos com joguinhos mentais, preocupados com aparências, comparamos demais, e desperdiçamos energia em TENTAR PARECER ao invés de simplesmente SER. Ao agir ouvindo nosso coração, dizendo sim pra si, estamos nos valorizando e a vida flui melhor, pois usamos aquela energia que antes sustentava as máscaras para coisas realmente válidas e benéficas.
            Para "tornar-te quem tu és" (Nietzsche) é preciso estar sempre desenvolvendo o "conhece-te a ti mesmo" (frase inscrita no Templo de Apolo em Delfos). A importância dessa sabedoria tão antiga está sendo felizmente cada vez mais reconhecida. Muitas pessoas estão buscando algumas ferramentas, como a psicoterapia, para olhar mais para dentro, do que para fora, que é o melhor modo de fazer escolhas mais conscientes, que tem consequências mais positivas. Mesmo não se conhecendo tão bem, claro que não se deixa de ser si mesmo, porém, acontece de se agir com muita inconsciência (que gera sofrimento), deixando de manifestar tantos potenciais.
 

O caminho do autoconhecimento não tem fim, o melhor que podemos fazer é aproveitar a jornada, valorizar cada passo, amar cada experiência e descoberta. O que ajuda é então reconhecer que lugar você está, e que sempre é possível acessar sua “melhor versão”, a melhor versão de agora, e não lá da frente. E quando você estiver agindo incoerentemente com o que acredita ser melhor, procure mudar, porém, sem culpa, pois ela só paralisa. Acolher-se, com todos supostos defeitos e erros, como uma criança que ainda está aprendendo e tratar-se com paciência e compaixão traz muito mais resultados positivos do que ficar se criticando, com diálogos mentais negativos que acabam com a autoestima e motivação. A neurose está em nosso conflito entre o que somos e o que achamos que deveríamos ser, e nunca chegamos nesse ideal, deixando de enxergar a totalidade maravilhosa que já somos, aqui e agora! E assim aceitando nossa inteireza, sem fingimentos, como disse Leminski: podemos ir além.